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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Carta de Despedida

«Há coisas que me obrigam a sorrir, coisas que me fazer crer que afinal nem tudo é mau e que, por muito que as coisas não nos corram de feição, vale a pena sobreviver. Às vezes faltam-nos essas coisas e baixamos os braços, até que um dia, inesperadamente, voltamos a sorrir e a ter a certeza que amanhã é um dia melhor e que o futuro nos reserva grandes coisas.» E depois destas coisas, há coisas do catano…

Escrevi aquilo que está entre aspas no dia 8, ou melhor, já no dia 9 (passava da meia noite). Eu sei que é triste ainda escrever estas coisas do tipo «Noites de Utopia», mas é mais forte que eu. E depois de ter escrito isto, eis que no mesmo dia (9, Domingo), surge o motivo para eu escrever esta bonita carta de despedida:

«Na memória ficarão para sempre momentos que por mais que o tempo passe nunca serão apagados, momentos que me marcaram e fizeram de mim aquilo que sou hoje. Ficarão para sempre aqueles dois pontapés que levaram a bola a atingir a janela, aquele pontapé que me levou o pé a partir o vidro da varanda e aquela vez em que corri desalmado para a minha baliza e marquei um auto-golo (que festejei efusivamente). Ficarão os não-sei-quantos toques com uma lata de Pringles, os 640 toques com a bola e a queda consequente e os toques com um porta-chaves em forma de mundo. Ficará também aquele golo de calcanhar, aquela finta num torneio e aquele passe no Verão. Para além de tudo isto, ficará aquele golo de canto directo (em que o vento me ajudou), ficará aquela tentativa de golo inesperada e aquele golo a não-sei-quantos metros em que arranhei as minhas primeiras sapatilhas Nike.
Não esquecerei também aquele ponto no voleibol que fiz depois de um remate acrobático (com o pé), nem aquela época em que para mim o badminton se jogava com os pés. Igualmente recordarei aquele corte cheio de raiva que me fez cair e rasgar a camisa no alcatrão, assim como aquele dia em que levei a bola a dar toques com a coxa até marcar um golo.
E para além de todos estes momentos, ficam muitos outros, alguns bons e alguns menos bons, mas uma coisa é certa: todos esses momentos fazem agora parte do passado.
Adeus joelho esquerdo. Foi um prazer servir a teu lado estes 21 anos.»


Post Scriptum [1]: isto é para ser meio a sério, meio a brincar... mas mais a sério que a brincar;
Post Scriptum [2]: espero que o meu joelho esquerdo ainda esteja em condições de vir à net ver isto.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A droga da minha vida

Há pessoas que procuram o elixir da vida. Sinceramente nunca entendi essas pessoas... longe de mim pensar em viver eternamente (já me chega os anitos que me restam). E também há pessoas que procuram o elixir da juventude. Estas quase que as entendo, mas mesmo assim vejo maior encanto em envelhecer (física e psicologicamente) que em ficar jovem para sempre. Eu, que sou assumidamente contra as drogas (apesar de entender as pessoas que as consomem) toda a minha vida procurei isto:

A Universidade de Montreal (Canadá) «desenvolveu» uma droga com efeitos simplesmente extraordinários (sempre quis escrever esta palavra no blogue). A droga Metyrapone é conhecida por provocar uma redução dos níveis de cortisol (uma hormona relacionada com a memória), sendo que o que a equipa de investigadores da Universidade de Montreal conseguiu foi manipular o tal hormona, utilizando a tal droga, de forma a «apagar» as memórias negativas e as emoções que lhe estão ligadas (brutal né?).
E mesmo que o método de teste desta investigação não seja tão bom como aquele do Pavlov (da campainha e o caneco) nem como aquele do Skinner (dos ratos e o catano), eu achei por bem partilhar:

«Para este estudo, 33 homens tiveram que aprender uma história com eventos negativos e neutros. Após três dias, eles foram divididos em três grupos: um recebeu uma dose única de Metyrapone, outro uma dose dupla e o terceiro recebeu placebo. Os homens tiveram que se lembrar da história após a droga e novamente, quatro dias depois, quando o medicamento não estaria mais no corpo.
O grupo que recebeu a dose dupla de metyrapone não se lembrou dos eventos negativos da história, embora não tivessem nenhum problema com os eventos neutros. Já o grupo do placebo lembrou-se de todos os eventos, sem problemas. O mais impressionante foi que a queda de memória das informações negativas continuou acontecendo mesmo quando os níveis de cortisol estavam normais no corpo, o que significa que a droga tem um efeito duradouro.»

Para além de ser uma droga que me faria facilmente virar drogado, esta coisa da metyrapone poderá vir a ser usada para ajudar pacientes que sofram de stress pós-traumático, ou seja, junta-se o útil ao agradável. Agora eu só quero é saber onde é que posso arranjar umas doses valentes disto, que 'tou mesmo necessitado.

Post Scriptum 1: já viram o Eternal Sunshine of the Spotless Mind? Se não viram vejam, se viram revejam;
Post Scriptum 2: clicaram em «placebo»? Cliquem lá vá!

Post Scriptum 3: devido ao facto de neste fim de semana ter que ir «defender Portugal» o «Dias de Estupidez» fica em férias até Domingo, sendo que o post desse dia está dependente do resultado das eleições.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O poder de Otrivin

Hoje a «melhor publicidade» vem em dose dupla, com dois anúncios criados para o Otrivin Nasal Spray.

domingo, 29 de maio de 2011

Uma história de coragem

Lembram-se deste texto pseudo-terapêutico? Hoje o «Dias de Estupidez» vai deixar o «pseudo» de lado.

Há palavras, momentos, olhares e sorrisos que marcam uma vida e que têm o poder de a mudar para sempre. Infelizmente nem sempre estas coisas são boas (nem os sorrisos, acreditem), mas a vida não existe para ser fácil. Se assim fosse qual seria a piada de acordar todas as manhãs? Qual seria a graça de acordar sem preocupações, sem medos nem desejos? A vida pode ser repleta de vitórias ou de derrotas, mas terá sempre de ser repleta de luta. E quando nos faltar a força para lutar, haverá sempre o exemplo daqueles que o fizeram e que mostraram que a luta vale a pena.
Eric Abidal, lateral francês de 31 anos do Barcelona, viu ser-lhe diagnosticado um tumor no fígado sem que nada o fizesse prever. Foi obrigado a parar de fazer aquilo que mais gosta: jogar futebol. A operação de remoção do tumor correu bem e Abidal, que se supunha que apenas voltaria ao activo em Agosto, jogou ontem os 90 minutos da final da maior competição de clubes: a Liga dos Campeões. No momento da cerimónia de entrega do troféu, Puyol (capitão da equipa) colocou a braçadeira ao francês, dando-lhe assim a oportunidade de erguer a taça, mais que merecida por tudo aquilo que Abidal passou.
E tal como há palavras, momentos, olhares e sorrisos, também há imagens. Esta é uma delas:


A «sugestão» do tema deste post foi dada pelo Rafael Pereira. :)

sábado, 28 de maio de 2011

Alergias

Aqui há uns tempos ouvi falar de uma rapariga alérgica ao absinto e pensei: «Oh, que raio de alergia mais parva. Ninguém é alérgico ao absinto!». Depois peguei num lenço, assoei-me e limpei as lágrimas dos olhos enquanto fazia força para não espirrar, o que me fez refazer o pensamento para: «Olha que sortuda de rapariga. Quem me dera ser alérgico ao absinto.». E porquê? Apesar de o absinto existir todo o ano é daquelas coisas que facilmente se evita (a menos que se perca o controlo de todas as capacidades e pumba), enquanto ser alérgico à Primavera/Verão não permite escapatória, a menos que mude de país quando está para acabar o Inverno. E mesmo que mudar de país seja uma grande ideia, não é viável porque no meu caso, por exemplo, nem a prostituir-me fazia 5 euros (referência a este post), quanto mais o dinheiro necessário para levar a cabo esse plano.
«Mas quem é que é alérgico à Primavera/Verão?» (suponho que estejas a perguntar-me isso em pensamento). Provavelmente sou o único no mundo, porque normalmente as pessoas são alérgicas a ácaros, tulipas ou látex. Só que essas pessoas vão a hospitais para saberem qual a alergia em concreto, e eu prefiro armar-me em campeão e dizer que sou alérgico à Primavera/Verão (até parece que uma alergia é uma espécie de catálogo La Redoute, com duas épocas) só para não ir a um hospital.
O que me vale é que vou conseguindo sobreviver, no entanto tenho receio (muito receio mesmo) que um dia destes não consiga evitar o espirro e bata com a cabeça na parede da casa de banho quando estiver a tomar banho todo nu (por falar em banho, aconselho toda a gente a não usar sabonetes que aquilo é um perigo).

Nota do autor: porque que raio é que a palavra «alergia» é tão parecida à palavra «alegria»? É alguma piada de mau gosto? Poça, isto revolta-me!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Alzheimer

Hoje trago-vos uma das melhores e mais tocantes campanhas que tive oportunidade de ver nos últimos tempos. O tema é a doença de Alzheimer (principal causa de demência no nosso país):



Este post serve também para anunciar o início de mais umas férias do "Dias de Estupidez" que se irão prolongar até dia 25 de Abril. Até lá e, se for caso disso, boas férias! :)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Secundário

Aqui ao tempo fiz uma visita à escola que me preparou para a vida académica. Conclusão: se eu tinha saudades daquilo, perdi-as todas. E mesmo não tendo provas, tenho que culpar os “Morangos” por isto, por terem criado um virús de cor nas escolas, principalmente secundárias. Antigamente as paredes das escolas eram normais, agora parecem edições ilimitadas da Agatha Ruiz de La Prada, com paredes de todas as cores, excepto as cores normais. E se fosse só isto ainda vá que não vá. Mas é que esta virose se propagou aos alunos, e agora em cada 10 alunas, 9 têm calças amarelas ou cheias de manchas. Escusado será dizer que se as paredes parecem da marca das canetas com animais, as alunas parecem edições Manuel Luís Goucha apenas limitadas pela falta de óculos parvos. Ah, e se fossem só as alunas, mas não. No meu tempo os rapazes corriam desenfreadamente pelo alcatrão atrás de uma bola, agora parece que são as bolas que correm atrás deles tal é a atadice* que demonstram a andar.
Bem, mais vale ficar-me por aqui não vá um destes jovens ler este texto. É que se antigamente se respeitavam os mais velhos, agora aqueles miuditos de 10 anos com casacos de cabedal são capazes de correr tudo à facada. Haja cuidado.

* esta palavra não existe mas quer dar a entender que os rapazes ‘tão atados e não se conseguem mexer como pessoas normais.

Post Scriptum 1: por razões de saúde física (mentalmente já estou acabado) a actualização chegou 21 horas atrasada.
Post Scriptum 2: esta semana que "prometia" ser uma semana marcante na minha vida (muito por força de decisões que tomei) está a caminhar para o pódio de pior semana das últimas duas décadas.
Post Scriptum 3: depois de ter passado 4 horas (!) nas urgências acabei por duvidar seriamente da razão pela qual ainda chamam àquilo "urgências".

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Lista 5: Fobias

Graças à vida pouco ocupada que hoje levo decidi lançar-me na pesquisa e procurar as fobias mais estranhas de que há conhecimento. Deixo-vos o meu top 5:

5. Ergasiofobia é uma fobia ou pavor ao trabalho. As pessoas com esta doença tendem a ser chamadas de preguiçosas ou como diria a minha progenitora: lambonas. Eu sei bem o que estas pessoas sofrem, se sei;


4. Penterofobia é o medo exagerado ou irracional da própria sogra. E eu que pensava que estas coisas de não se gostar das sogras eram uma brincadeira;

3. Catisofobia é a aversão e medo mórbido, irracional e persistente de estar sentado. Pode variar entre uma sensação de inquietação até a incapacidade de se sentar ou de se deitar tranquilamente. Por outro lado, não encontrei nenhuma fobia a "não estar sentado", que faria muito mais sentido que esta;

2. Fonofobia é um medo que se manifesta pelo horror à sua própria voz e pavor de falar alto. Quem me dera que muitos dos cantores dos dias de hoje fossem afectados por esta fobia. O mundo seria um lugar melhor;

1. Hipopotomonstrosesquipedaliofobia é um distúrbio que se caracteriza pelo medo irracional de pronunciar palavras grandes ou complicadas. Esta tinha de ser a grande vencedora. É o mesmo que detestar um Renault Clio e ter um, ou seja, não basta ter medo de palavras grandes e ainda dão a esse medo um palavrão com 33 letras (!).